Tarifaço de Trump atinge WEG e exclui Embraer; governo Lula reage
Impacto setorial na Bolsa é real. A parte relevante está fora do pregão.
Segundo o InfoMoney, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com base na Seção 301. A medida decorre de investigação iniciada em 2024 e atinge serviços de pagamento, etanol e propriedade intelectual. Carne bovina, café e peças de aeronaves foram excluídos, blindando Embraer e Tupy. O impacto mais concentrado recai sobre a WEG: analistas do Bradesco BBI e da XP estimam perda de até 80 pontos-base na margem Ebitda.
A leitura dominante entre analistas trata a tarifa como uma questão de alocação setorial — quem ganha, quem perde, quem está neutro. A premissa é que a medida é um ato administrativo-técnico focado em 'práticas desleais' em pagamentos eletrônicos e etanol. Esse recorte funciona no curto prazo, mas ignora a função histórica da Seção 301: ela nunca foi apenas uma ferramenta tarifária. Em 2018, foi a porta de entrada para renegociar o NAFTA e para tarifas sobre a China que mudaram cadeias globais. O alvo declarado era aço. O objetivo real, forçar mudanças estruturais em propriedade intelectual. O jogo pode ser o mesmo agora.
O presidente Lula já transformou o tarifaço em questão de soberania, ao criticar a proposta e vincular a defesa do Pix ao episódio. Se Trump usar a tarifa como plataforma de campanha contra o 'protecionismo brasileiro', o tema migra do setorial para o sistêmico. A consequência de segunda ordem — que a leitura de mercado ainda não incorpora — é o custo político da escalada. O impacto na Bolsa é sintoma, não causa. Duas variáveis definem a próxima rodada: a pauta de uma eventual ligação entre Lula e Trump e a velocidade de uma contraproposta brasileira ao USTR. Até lá, a parte mais relevante da história está fora do pregão.