Renan Santos ataca Eduardo Bolsonaro em video
Ataque tem alvo certo. O alvo real pode ser outro.
Segundo o portal Vero Notícias, o pré-candidato à Presidência Renan Santos (Missão) afirmou, em vídeo nas redes sociais, que Eduardo Bolsonaro (PL-SP) atua em defesa dos interesses dos Estados Unidos no Brasil. A declaração ocorre dias após a repercussão de falas de Eduardo sobre o Pix e o sistema Zelle, e de episódios anteriores de apoio a medidas de Donald Trump. No mesmo vídeo, Renan criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula.
A leitura mais imediata é a de que Renan fez um ataque cirúrgico — expôs uma suposta incoerência do adversário. O problema é que essa leitura depende de uma premissa: que Renan está mirando em Eduardo para vencer um debate de política externa. O que a cronologia sugere é outra coisa. Renan é pré-candidato em um campo que não é lulismo nem bolsonarismo raiz. Atacar Eduardo — figura com rejeição alta e pouca capacidade de mobilização própria — não é enfrentar um adversário forte. É escolher um alvo de baixo risco. O movimento pode ser outro: usar Eduardo como ponte para criticar o bolsonarismo sem atacar Jair Bolsonaro diretamente, que ainda tem base fiel, e tentar capturar eleitores que rejeitam a pauta Trumpista.
Há um precedente claro: em 2018, vários candidatos de centro tentaram se viabilizar atacando figuras secundárias dos campos polares. O resultado, na maioria dos casos, foi zero — o eleitor ignorou o intermediário. O ataque pode funcionar nas redes. A pergunta que não se responde é se ele vira voto.