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EUA recomendam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

Não é protecionismo ideológico. É cirurgia na dependência.

EUA recomendam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Foto: Reprodução / Revista Oeste

Segundo a Revista Oeste, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu investigação sob a Seção 301 e recomendou tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros. A medida, com ancoragem técnica que dificulta reversão jurídica, aponta seis frentes: barreiras ao comércio digital, assimetrias em pagamento eletrônico, propriedade intelectual, etanol, tarifas preferenciais e desmatamento.

O detalhe que revela o jogo está na lista de isentos. Embraer, combustíveis, minerais críticos, café e carne bovina foram poupados — onde o Brasil é insubstituível nas cadeias globais, a tarifa não entrou. Onde somos substituíveis, como calçado, têxtil e soja processada, entrou. Não é protecionismo ideológico: é economia da dependência. A tese de surpresa, no entanto, merece fricção. A investigação da Seção 301 não surgiu do nada — em 2023, o relatório anual da USTR já listava sete das dez queixas. Em fevereiro de 2025, houve reunião bilateral; em março, o Brasil protocolou contestação de 120 páginas. O problema não foi falta de comunicação, mas insuficiência técnica em três áreas onde a legislação brasileira é omissa.

Agora vem a complicação verdadeira: a classificação de facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas por Washington funde segurança nacional e comércio na mesma negociação — fenômeno descrito como linkage diplomacy. Brasília não sabe operar nesse tabuleiro porque nunca precisou. A próxima rodada não é retaliação, que pressupõe simetria. É ajuste de hierarquia.