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Amcham alerta: tarifa de 25% dos EUA eleva custo e reduz competitividade do Brasil

Alerta da Amcham tem premissa que depende de teste — a história comercial sugere outra leitura.

Amcham alerta: tarifa de 25% dos EUA eleva custo e reduz competitividade do Brasil
Foto: Reprodução / CNN Brasil

A Amcham Brasil afirmou, nesta terça-feira (2), que a recomendação do USTR de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, se confirmada, aumentará custos, reduzirá competitividade e criará obstáculos bilaterais. O presidente da entidade, Abrão Neto, pediu 'solução que preserve as condições para evolução do comércio'. O relatório reconhece avanços nos diálogos desde o encontro Lula-Trump em maio, mas a investigação sob a Seção 301 pode incluir tarifas adicionais para 60 países, entre eles o Brasil.

O alerta parte de uma premissa: que o exportador brasileiro carrega sozinho o custo da barreira. Há, no entanto, leitura que testa essa premissa. Em 2018, tarifas americanas sobre aço e alumínio elevaram o preço interno nos EUA, não mataram a exportação brasileira. O custo foi dividido entre cadeia americana e consumidor final. Em commodities agrícolas e minério de ferro — carro-chefe da pauta brasileira para os EUA — a demanda é menos elástica do que supõe o alerta. O custo político da tarifa, nesse caso, não é só brasileiro: a indústria americana que depende de insumos brasileiros perde competitividade contra concorrentes asiáticos, gerando pressão republicana.

O argumento da Amcham é razoável, mas depende de calibragem. A questão deixa de ser 'quanto o Brasil perde' e passa a ser 'quem paga a conta nos EUA'. Se o preço interno do produto final americano subir, a pressão por negociação virá de lá, não de Brasília.