Zema critica festa de R$ 12 milhões e testa limites do sistema
Vídeo não é denúncia. É calibragem de candidatura anti-establishment.
Segundo a Revista Oeste, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema publicou nesta sexta-feira, 5, mais um episódio de sua série 'Os Intocáveis'. O vídeo aborda reportagem do jornal O Globo sobre festa em Nova York que teria custado R$ 12 milhões ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, preso em Brasília. Zema pede investigação e critica o que chama de 'farra dos intocáveis'.
O movimento real, no entanto, não é a denúncia — é o teste. Zema não está apenas apontando privilégios. Está mapeando quanto de crítica ao STF o sistema judicial tolera antes de derrubar uma candidatura presidencial. A série 'Os Intocáveis' funciona como calibragem de fricção: cada episódio é um sinal de bastidor. Quando o ministro Gilmar Mendes o incluiu em investigação em abril, a resposta não foi recuo — foi ampliação da série. O padrão revela leitura de que o custo de processar uma candidatura consolidada é maior que o custo de tolerá-la.
O diagnóstico de Zema sobre privilégios não é falso — é funcional. A festa de R$ 12 milhões ofende o senso de justiça. Mas o argumento depende de uma premissa: que a denúncia é apartidária. A série não é relatório de controle; é campanha eleitoral em formato satírico. A função do discurso pode mudar: o que hoje é 'farra' pode amanhã ser 'estabilidade', se Zema ocupar a Presidência e precisar de previsibilidade no Judiciário. O mesmo rito foi usado por Bolsonaro em 2018 — crítica ao sistema que depois passou a operar.
A pergunta não é se Zema tem razão. É se ele quer acabar com a farra ou ocupar o lugar de quem festeja. O sistema funciona. Por enquanto.