Voto feminino como barreira ao bolsonarismo
O dado é certo. A premissa, não.
A deputada estadual Verônica Lima (PT-RJ) publicou artigo no Brasil de Fato em que analisa o peso eleitoral do voto feminino. Segundo o texto, as mulheres representam mais de 52% do eleitorado — mais de 81 milhões de eleitoras — e foram determinantes para a vitória de Lula em 2022. A parlamentar afirma que pesquisas para 2026 indicam que elas seguem como a principal barreira eleitoral contra o bolsonarismo.
O diagnóstico está correto em sua camada mais visível: em 2022, o voto feminino foi um dos pilares da vitória de Lula. Pesquisas Datafolha daquele ano mostravam rejeição a Bolsonaro entre 56% das eleitoras contra 44% dos homens. O problema não é o dado. É a interpretação. O argumento depende de uma premissa forte: que o eleitorado feminino se comporta como bloco coeso, movido prioritariamente por pautas progressistas. Levantamentos do Instituto Locomotiva e da Datafolha em 2024, porém, mostravam que entre mulheres evangélicas a preferência por Bolsonaro era de 42% contra 34% de Lula. O voto feminino se fragmenta por renda, raça, religião e geografia.
A pergunta que define a próxima rodada é estrutural: a premissa de que mulher vota em bloco contra a direita sobrevive ao teste de 2026? O risco é que a esquerda trate a barreira como automática e negligencie o segmento que mais cresce entre mulheres jovens — o conservadorismo pragmático, que prioriza segurança e renda. A direita já ocupa o vácuo. Resta saber se a premissa se sustenta nas urnas.