Vorcaro montou segundo contrato de R$ 50 milhões para blindar pagamento a escritório de mulher de Moraes
Não era precaução. Era engenharia de perpetuacão.
Segundo a revista Oeste, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro preparou um segundo contrato de R$ 50 milhões para garantir o pagamento integral ao escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, mesmo após a venda do Banco Master. A informação consta em anexo da delação rejeitada pela Polícia Federal e foi confirmada à jornalista Malu Gaspar por pessoas próximas a Vorcaro. O contrato original, de R$ 129 milhões, previa parcelas mensais de R$ 3,6 milhões entre janeiro de 2024 e janeiro de 2027.
Vorcaro não confiava na sustentação da operação. Quando um operador financeiro articula um segundo contrato, com outra empresa sua, para garantir pagamento contínuo após a venda do banco, ele está revelando cálculo sistêmico. Qualquer novo proprietário do Master teria perguntado por que estaria herdando um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com um escritório sem serviços mensuráveis. O segundo contrato, nunca assinado, era tentativa de criar redundância — blindagem contra a própria fragilidade do arranjo. Há, no entanto, leitura alternativa: em operações bancárias complexas, valores milionários em compliance e blindagem jurídica são comuns. A questão não é o valor, mas a função que o escritório cumpria — não no conteúdo da lista de tarefas, mas no efeito político de ter o nome da mulher de Moraes vinculado ao banco.
O centro da questão deixa de ser 'quanto Vorcaro pagou' e passa a ser 'por que precisava proteger tanto o arranjo'. A delação rejeitada pela PF não foi validada, o que torna a narrativa do segundo contrato frágil como prova, mas robusta como indício. A pergunta que Viviane Barci ainda não respondeu é a mais incômoda: aceitou um arranjo que precisava de tantos cuidados para funcionar? A próxima proposta de delação de Vorcaro promete mais detalhes. Até lá, o que se vê é engenharia de perpetuação — não compra de proximidade.