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UE oficializa veto à carne brasileira

Veto europeu é técnico. O timing é político.

UE oficializa veto à carne brasileira
Foto: Reprodução / Carta Capital

A União Europeia oficializou, nesta sexta-feira 5, o Brasil como país não conforme com suas regras contra o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária. Conforme documento da Comissão Europeia, o país fica proibido de exportar carne bovina, de frango, equina, pescado, mel e tripas aos 27 países do bloco a partir de 3 de setembro. A UE é o segundo maior destino da carne brasileira — 1,8 bilhão de dólares em exportações em 2025, atrás apenas da China (9,8 bilhões).

O Brasil não apresentou as garantias exigidas pela legislação europeia. Fato. Mas a data da publicação não é acaso. O acordo Mercosul-UE entrou em vigor em maio, sob forte oposição da França e do setor agrícola europeu. A Comissão sabia da lacuna brasileira há meses. Publicou agora porque precisava demonstrar ao eleitorado europeu que a integração comercial tem custo e que há fiscalização. O veto funciona como amortecedor político: a UE se blinda, o Brasil absorve o golpe. O argumento de que a medida é exclusivamente técnica falha ao ignorar que a mesma Comissão já reabilitou o Brasil em crises sanitárias anteriores — como na Operação Carne Fraca, em 2017 — quando o contexto comercial era outro. Países como Tailândia e Indonésia foram listados no mesmo documento, mas o debate brasileiro trata o caso como isolado.

O custo é imediato e estrutural. Imediato: carne encalhada. Estrutural: a integração com a Europa tem gatilho político, não só regulatório. A pergunta que importa não é mais sobre antimicrobianos. É: o quanto o Brasil está disposto a ceder em outras agendas para reabilitar a carne europeia? A próxima rodada depende da decisão da Corte Europeia de Justiça sobre o acordo. Até lá, o veto segue como sinal.