TSE suspende pesquisa AtlasIntel por suspeita de manipulação contra Flávio Bolsonaro
Não é sobre pesquisa. É sobre quem controla a narrativa.
Redação KADDABRA ·
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, determinou nesta quarta-feira a suspensão de uma pesquisa do instituto AtlasIntel que apontava queda na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A decisão atende a ação do Partido Liberal, que apontou indícios de manipulação no questionário — perguntas introdutórias que induziam o eleitor a uma avaliação negativa do candidato antes de perguntar o voto. O próprio CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, classificou o caso como "extremamente grave" nos autos.
Não é apenas correção de desvio técnico. É calibragem de poder. Ao suspender a publicação, Kassio não está corrigindo apenas uma pesquisa: está centralizando em mãos do TSE o controle sobre qual narrativa circula e qual fica blindada. O Partido Liberal venceu uma rodada — não salvou Flávio de queda eleitoral, mas estabeleceu um precedente: acusação de viés agora tem freio estatal. Quem controla esse freio controla parte do tabuleiro. Há, no entanto, um contraponto que o consenso ignora. Em novembro de 2022, o mesmo tribunal manteve uma pesquisa Quaest com pergunta claramente indutiva — sobre "candidato que defende a prisão de Lula" — sem qualquer sanção. Em março de 2023, outra pesquisa com metodologia questionável foi arquivada sem punição. A diferença de tratamento sugere que o critério não é só técnico. É político.
A consequência de segunda ordem: partidos podem passar a pedir sistematicamente a retirada de pesquisas desfavoráveis sob alegação de viés. O PL testou o caminho. Funcionou. A questão deixa de ser se a AtlasIntel errou — provavelmente errou — e passa a ser se o remédio é aplicado com a mesma calibração em todos os pacientes. O plenário do TSE pode reverter a decisão. Até lá, a dúvida já basta para radioativizar institutos e blindar narrativas.