TSE distribui R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral a 30 partidos
Fundo não compra votos. Compra estabilidade do sistema.
Segundo a Revista Oeste, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta quarta-feira, 3, a distribuição de R$ 4,9 bilhões do fundo especial de financiamento de campanha entre 30 legendas. O PL, que abriga o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, receberá a maior fatia: R$ 881,6 milhões. O PT, do presidente Lula, fica com R$ 615,3 milhões. O União Brasil, com R$ 526,2 milhões. A fórmula é conhecida: bancada no Congresso + desempenho eleitoral.
A metodologia parece neutra. Não é. Ela funciona como amortecedor de turbulência. PL e PT recebem mais porque têm bancadas grandes, e têm bancadas grandes porque ganharam nas rodadas anteriores. O sistema se alimenta de si mesmo. Partidos pequenos ou emergentes ficam com migalhas — R$ 10 ou R$ 15 milhões. Suficiente para disputar. Insuficiente para competir. O fundo não proíbe ninguém de entrar. Apenas torna mais caro o ingresso para quem não está dentro.
A disputa real, portanto, não é sobre quanto cada um recebe — ambas as siglas aceitam a fórmula porque ambas ganham. O jogo está em quem converte esse dinheiro em voto com mais eficiência. O PT tem máquina. O PL tem militância e entusiasmo. A variável que pode virar o tabuleiro é se um terceiro ator conseguir organizar capital privado — dentro da lei — ao redor de um nome fora do eixo PT-PL. Se alguém entender que o jogo não é sobre dinheiro bruto, mas sobre taxa de conversão, o sistema perde previsibilidade.
Por enquanto, não perdeu. O fundo continua sendo instrumento de estabilização: redistribui o suficiente para que os pequenos reclamem menos e garante o suficiente para que os grandes se comportem. Não é generosidade. É engenharia.