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Recorde de troca de partido no Senado: 86 migrações desde 2019

Movimento não é instabilidade. É reorganização com fluxo direcional.

Recorde de troca de partido no Senado: 86 migrações desde 2019
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Redação KADDABRA ·

O Senado registrou 86 mudanças de partido entre 2019 e abril de 2026 — o maior número da série histórica iniciada em 1991, segundo levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da UnB. Conforme O Globo, 37 dessas migrações ocorreram na atual Legislatura, em meio às articulações para as eleições de 2026.

O dado é recorde, mas a leitura dominante — de que toda troca enfraquece a base governista — depende de uma premissa que ainda não foi testada: a direção das migrações. Nem toda troca tem o mesmo peso funcional. Migração para partidos de centro ampliado (PP, Republicanos, PSD) pode ser sinal de reorganização interna, não de ruptura. A derrota de Jorge Messias ao STF, citada como evidência de instabilidade, também pode operar como calibragem de custo-benefício entre Planalto e Senado. Em 2021, sob Pacheco, derrotas similares foram seguidas de acordos costurados em bastidor.

A variável relevante não é o volume. É quem migrou para onde, por que e em que momento. Sem análise de fluxo por bloco político, o recorde de 86 trocas conta uma história, mas não conta a história toda. O sistema funciona. A pergunta é se ele está se fragmentando ou se reorganizando para 2026.