Tarifa de Trump expõe cálculo eleitoral de pré-candidatos
Não é sobre comércio. É sobre quem capitaliza o atrito.
Conforme o Poder360, pré-candidatos à Presidência e políticos governistas reagiram em publicações no X à proposta do governo dos EUA de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi apresentada após investigação comercial do USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), que cita o Pix, decisões judiciais sobre plataformas digitais e acordos com México e Índia, entre outros pontos. A decisão final caberá a Donald Trump — o Brasil tem até 15 de julho para responder.
O consenso imediato é que a tarifa é inaceitável. O argumento depende de onde se coloca a culpa. Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), ambos pré-candidatos, responsabilizaram o governo Lula pela deterioração da relação. Caiado disse que, se estivesse no governo, teria corrigido o problema 'imediatamente'. Zema escreveu que a medida 'não caiu do céu' e que o Brasil perdeu segurança jurídica e força para negociar. Do outro lado, Fernando Haddad (PT-SP) e aliados apontaram articulação da família Bolsonaro — a viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA foi citada como peça do tabuleiro. Há leitura que a tarifa serve de munição eleitoral para ambos os lados. Em 2018, mesma manobra: crise externa como plataforma de ataque interno.
O custo de não responder é alto. O custo de responder mal também. Até 15 de julho, o Brasil não decide contra a tarifa — decide quem ocupa o espaço de garantidor da soberania.