Tarcísio ironiza Haddad e pré-campanha em SP troca farpas por atenção
Ataques geram ruído. A pergunta é se produzem voto.
Em entrevista à rádio Jovem Pan nesta segunda-feira (1º), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), chamou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) de "o melhor ministro da Fazenda da história do Paraguai". A ironia foi uma resposta à migração de empresas brasileiras para o país vizinho e também uma reação a críticas feitas por Haddad no sábado (30), que acusou Tarcísio de "depor contra o país" ao elogiar articulação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos EUA.
O argumento de que a troca de farpas já desenha a prévia de 2026 depende de uma premissa frágil: a de que esse tipo de embate, a mais de três anos do pleito, desloca intenções de voto. O histórico de 2018 e 2022 mostra que ataques personalizados entre pré-candidatos raramente se consolidam antes da definição de alianças. A função do barulho, no momento, é outra. Para Tarcísio, atacar Haddad o mantém no centro do debate nacional enquanto evita ser associado exclusivamente ao bolsonarismo radical. Para Haddad, responder é uma forma de ocupar o espaço sem precisar apresentar programa de governo. A política de gestos consome a política de resultados.
O que a cobertura dominante perde é que o ruído pode atrasar a maturação de uma agenda substantiva. Enquanto os dois falam um do outro, temas como reindustrialização, segurança pública e desafios fiscais do Estado ficam em segundo plano. A história recente mostra que campanhas que começam cedo com ataques pessoais tendem a terminar com surpresas — porque o jogo real, o das alianças e do financiamento, só começa meses depois.