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STM marca para 24 de junho recurso de Bolsonaro sobre relator

Defesa não discute imparcialidade. Testa elasticidade do tribunal.

STM marca para 24 de junho recurso de Bolsonaro sobre relator
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo a CNN Brasil, o Superior Tribunal Militar (STM) marcou para 24 de junho o julgamento do recurso da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a permanência do ministro Joseli Parente Camelo como relator de processo que pode resultar na perda da patente militar.

A defesa alega falta de imparcialidade, citando manifestações públicas de Camelo sobre a condenação de Bolsonaro no STF. O pedido de afastamento foi negado em decisão individual pela presidente do STM, Maria Elizabeth Rocha, e agora cabe ao plenário — composto por 15 ministros, entre civis e militares — decidir por maioria.

Bolsonaro não está discutindo imparcialidade. Está testando a elasticidade do STM. Quando a defesa cita manifestações públicas do relator, não apela a jurisprudência. Sinaliza: "este tribunal pode ser tocado". O mecanismo é clássico: perdeu no mérito — condenado no STF —, tenta ganhar no procedimento. Afasta o juiz adversário, perde tempo, cria clima de dúvida institucional.

O custo político de ceder, no entanto, é alto demais. O STM já está radioativizado por histórico de complacência com golpismo militar. Afastar Camelo por pressão externa seria confessar que o tribunal negocia com risco político. A questão não é se o plenário resiste — é quantos votos serão necessários para mostrar que a instituição não é capturável por procedimento.

Se mantiverem Camelo, o julgamento de fundo avança. Bolsonaro perde patente, e começa o segundo turno: recursos no STF, ações na OEA, mobilização de aliados. A perda não é o fim. É a abertura de uma nova rodada. Mas sem blindagem processual no STM, ele joga sem rede.