STF marca julgamento de Eduardo Bolsonaro para junho; Moraes avalia incluir Jair e Flávio
Julgamento de Eduardo é movimento de calibração. Moraes testa se consegue ampliar para o pai.
Segundo o Vero Notícias, o Supremo Tribunal Federal pautou para 16 de junho o julgamento da ação penal contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado pela PGR de atuar nos EUA para interferir em investigações sobre a tentativa de golpe. Em paralelo, o ministro Alexandre de Moraes analisa pedidos para incluir Jair Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro no inquérito, com base em supostas conexões com o filme “Dark Horse”.
A marcação do julgamento de Eduardo não é procedimento isolado. É movimento de calibragem. Moraes começa pelo filho — periférico, com rastro de comunicação verificável — e testa se consegue ampliar para o pai. O passo seguinte depende da PGR: se a Procuradoria pedir a inclusão de Jair e Flávio, Moraes tem legitimidade para avançar. Se não pedir, ele pode decidir por conta própria — terreno mais frágil, mas transitável. A defesa dos Bolsonaros respondeu com pedido de suspeição contra Moraes, protocolado no plenário. Movimento defensivo clássico: tira a autoridade do juiz antes que a sentença caia.
A narrativa deixa de ser 'julgamento de um deputado' e passa a ser 'operação contra a família presidenciável'. Isso radioativiza o caso e amplia o custo político da defesa. O precedente análogo é recente: em 2024, quando Moraes expandiu inquéritos sobre 8 de janeiro para incluir deputados do núcleo bolsonarista, a estratégia foi idêntica — começar pelo periférico, depois centralizar. A próxima rodada depende de quem fala primeiro: a PGR ou Moraes em decisão solo. Qualquer caminho reposiciona o jogo.