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Setor elétrico: reforma ou mais do mesmo?

Curtailment de 20%, encargos a R$ 58 bi. O diagnóstico é consenso. A solução, não.

Setor elétrico: reforma ou mais do mesmo?
Foto: Reprodução / CNN Brasil

Segundo análise da CNN Brasil, o setor elétrico brasileiro corre risco de colapso antes de 2030 se mantidas as regras atuais. O modelo, concebido entre 1998 e 2004, não acompanhou a transformação da matriz, que hoje tem 90% de renováveis. O sintoma mais visível é o curtailment: em 2025, o Brasil desperdiçou cerca de 20% de toda a energia renovável que poderia ter gerado. Enquanto isso, os encargos setoriais saltaram de R$ 18 bilhões (2018) para mais de R$ 58 bilhões, com 40% do custo da energia composto por tributos e perdas.

O diagnóstico é consenso. O argumento da reforma abrangente, no entanto, depende de uma premissa política raramente testada: que Executivo, Legislativo, distribuidoras, geradores e consumidores se alinharão em torno de um redesenho completo em menos de dois anos sem captura por interesses setoriais. Reformas amplas no Brasil — previdência em 2019, tributária em 2023 — levaram anos e produziram efeitos colaterais. No setor elétrico, o risco é maior: a mudança mexe em contratos de longo prazo, concessões e ativos financeirizados. Cada agente tem incentivo para travar o que lhe afeta.

Há, ainda, a questão do custo político. O governo eleito em 2026 precisaria gastar capital político em tema técnico, de alto atrito e retorno eleitoral difuso. O histórico recente sugere o oposto: governos priorizam pautas de curto prazo. O resultado é a repetição do que o próprio texto critica — ajustes pontuais disfarçados de reforma. A matriz já se transformou sem reforma central, via leilões e regulação da Aneel. O curtailment de 20% não é produto da falta de reforma, mas do descompasso entre geração e transmissão, que uma reforma ampla também levaria anos para corrigir.