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Flávio Bolsonaro atribui restrição da UE a Lula. Frágil premissa.

Senador culpa gestão atual por embargo sanitário europeu. A história não ajuda.

Flávio Bolsonaro atribui restrição da UE a Lula. Frágil premissa.
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Redação KADDABRA ·

Segundo o Vero Notícias, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu ao governo Lula a decisão da União Europeia de restringir importações de carne bovina, suína e de aves do Brasil. Em postagem em rede social, chamou a medida de “mais um problema” da atual gestão e prometeu reverter o cenário caso a direita retorne ao poder.

A leitura dominante entre aliados do ex-presidente e parte da bancada ruralista é que o veto é retaliação política. O argumento depende de uma premissa: que a UE ignora critérios técnicos e age por ideologia. O problema é que a história mostra o contrário. Em 2017, durante o governo Temer, a UE já havia endurecido regras após a Operação Carne Fraca. Em 2018, a China embargou carne brasileira por razões sanitárias. Nenhum desses episódios teve Lula como alvo. Relatórios do próprio Ministério da Agricultura, de gestões anteriores, apontam deficiências estruturais nos sistemas de fiscalização. A UE, por sua vez, eleva barreiras sanitárias para todos os parceiros — EUA e Argentina inclusive — independentemente de quem está no poder.

Ao politizar o veto, Flávio pode estar desviando o debate do que realmente importa: a credibilidade sanitária brasileira. A Itamaraty busca esclarecimentos técnicos, o governo ainda não se manifestou oficialmente. A próxima rodada é a resposta da UE aos questionamentos brasileiros. Até lá, a pergunta de fundo permanece: o problema é político ou sanitário? A história sugere que culpar o governo da vez raramente resolve a segunda opção.