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Senado inicia debate sobre PEC que reduz jornada e extingue escala 6×1

Alcolumbre não travou a PEC. Só ocupou o controle do tempo.

Senado inicia debate sobre PEC que reduz jornada e extingue escala 6×1
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo o portal Vero Notícias, o Senado inicia nesta semana a discussão sobre a PEC que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. O tema será debatido em reunião entre líderes partidários e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A proposta, aprovada pela Câmara em maio, prevê redução gradual de 44 para 40 horas semanais em 14 meses, sem corte salarial.

Alcolumbre recebeu o texto com civilidade. O movimento real foi outro: ele não disse "não", disse "espera". E "espera" em política é poder. A sinalização de uma comissão temática para "análise detalhada" significa 4 a 6 semanas de circulação. Nesse intervalo, blocos parlamentares negociam preço de apoio, setores empresariais amplificam pressão e o governo testa sua força real sem comprometer capital. Alcolumbre sai como moderado. Todos saem com moeda de troca.

O governo diz que a PEC é prioritária. A pergunta é: prioridade de quem? Se Lula precisa de reunião de líderes para avançar, é porque a base no Senado não é tão sólida quanto o Planalto gostaria. Os empresários, por meio de CNI e Fiesp, já ocuparam espaço junto a senadores de centro-direita. Quando o patronato fala antes de a comissão estudar, é porque já modelou sua influência. O texto tende a sair diluído ou condicionado.

A questão deixa de ser se a jornada cai para 40 horas. Passa a ser quem controla o fluxo legislativo até lá. Alcolumbre, ao ocupar o tempo, ocupa o poder. E quando a comissão fechar seu parecer, o resultado será definido pelo volume de pressão de cada lado — não pela leitura técnica. Esse volume se constrói agora.