Senado discute PEC 6×1; pauta é sobre controle, não jornada
Não é o trabalho que importa. É o memorando.
Conforme apurou o Vero Notícias, o Senado deve começar a discutir nesta semana a PEC que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. O texto ainda não tem despacho oficial, mas já circula entre líderes partidários e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A tramitação prevê análise em comissão antes do plenário, com transição de 14 meses.
A discussão não começa porque o Senado acordou preocupado com jornada de trabalho. Começa porque Alcolumbre precisa demonstrar capacidade de pautar um tema divisivo. O movimento real é sobre quem controla a agenda, não sobre a matéria. O cenário revela três grupos: esquerda quer a pauta como conquista simbólica antes de 2026; setores produtivos criticam o impacto em custos operacionais; centro (MDB, União Brasil, Republicanos) aguarda definição de custo político. A negociação real não é sobre a jornada — é sobre quem paga o custo da aprovação e como esse custo é distribuído entre bancadas. Os 14 meses de transição não são generosidade: são engenharia para diluir impacto e permitir negociação por setores.
A próxima rodada testa quem consegue manter bancada coesa sem oferecer compensação explícita. Alcolumbre já sabe disso. Por isso a matéria passa por comissão antes do plenário — mais tempo para articular, menos risco de surpresa. A votação, quando vier, dirá menos sobre jornada de trabalho e mais sobre quem ainda tem capacidade de manter bloco junto em tema divisivo.