Sarney defende insistência em Messias e testa força do governo
Nota de ex-presidente não defende Messias. Sinaliza que articulação continua.
Segundo o Vero Notícias, o ex-presidente José Sarney defendeu que Lula mantenha a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF. Em nota, Sarney chamou a rejeição de Messias pelo Senado, em abril, de "acidente de percurso". A defesa pública ocorre em meio à resistência da oposição e a dúvidas sobre uma nova sabatina ainda em 2026.
Sarney é termômetro. Ex-presidente não publica defesa de rejeição sem medir antes. Se fala agora, é porque o bloco que sustenta Lula calculou que há margem — ou precisa reafirmar coesão. A pergunta deixa de ser "Messias vai?" e passa a ser "quem perde se insistir?". A rejeição de abril custou desgaste legislativo e clareou onde o Senado está. Mas o jogo político tem calendário: Lula liberou emendas, recompos pontes com partidos do corpo médio. O custo de aprovar um nome indicado por ele, hoje, pode ser menor do que era.
Há consenso de que a rejeição foi uma derrota. O argumento depende, no entanto, de uma premissa: que a correlação de forças no Senado não mudou desde abril. O problema é que o Senado não é bloco fixo. No ciclo anterior, a rejeição ocorreu com pautas fiscais travadas e centrão testando limites. Desde então, o governo distribuiu amortecedores. Se Messias for aprovado agora, a narrativa de derrota vira ensaio. Se for rejeitado de novo, o custo político será maior — não pela perda, mas por repetir a aposta sem reajuste. A variável crítica: quantos votos mudaram desde abril? Enquanto isso, o Senado prova que tem veto. O governo prova que vai cobrar. O que vem: a próxima vaga no STF vai contar.