Rio suspende ciclovia de R$ 34 milhões enquanto regula bicicletas elétricas
Suspensão pode ser procedimento. Mas ciclista continua sem asfalto.
Redação KADDABRA ·
Conforme apurou o portal Coisas da Política, o Diário Oficial do Rio publicou na última sexta-feira (5) a suspensão sine die do pregão nº 90274/2026, da SECONSERVA, que previa R$ 34,4 milhões para revitalizar e implantar rota cicloviária entre a Zona Norte, a Grande Tijuca e o Alto da Boa Vista. Na mesma semana, a prefeitura publicou decreto regulando a circulação de bicicletas elétricas e patinetes — criando regras, mas não asfalto.
O contraste rende manchete, mas a premissa de contradição depende de que a suspensão represente abandono de política pública. Licitações de obras são suspensas por motivos corriqueiros: impugnação de edital, readequação de projeto, reajuste orçamentário em ano de arrecadação desacelerada. Em 2023, contratos similares da mesma secretaria foram suspensos e retomados. Sine die, no linguajar administrativo, significa 'sem data marcada' — não cancelamento. A SECONSERVA não informou a razão oficial.
Isso não desmonta a crítica urbanística. Regrar bicicletas sem entregar ciclovia é, no mínimo, colocar a carroça na frente dos bois urbanos. A diferença: o decreto custa papel e caneta; os R$ 34 milhões competem com despesas obrigatórias. A suspensão pode ser pragmática antes de ser ideológica. Mas, até lá, a cratera no asfalto é real. O diagnóstico sobre a causa — desleixo ou tramitação — ainda está aberto.