Ricardo Couto tem 51,8% de aprovação no Rio
Aprovação de interino não é governo. É vácuo com boa reputação.
Segundo pesquisa do instituto Paraná Pesquisas divulgada esta semana, o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, alcança aprovação de 51,8% dos eleitores fluminenses. O desembargador, presidente do Tribunal de Justiça do estado, ocupa o cargo de forma interina desde que o STF suspendeu a eficácia de um decreto que tratava da sucessão. A pesquisa, registrada no TSE, ouviu eleitores entre 1º e 3 de junho e aponta que 38,2% desaprovam a gestão, com margem de erro de 2,5 pontos.
O dado raro em governança fluminense — alguém aprovado — não nasce de máquina de governo. Nasce da ausência dela. Couto não disputa voto, não precisa de base parlamentar fixa, não articula com diretórios estaduais. Governa em modo fantasmagórico: visível, mas sem amarração política. Isso reduz fricção e o custo de decisões impopulares. Enquanto o STF adia a decisão sobre eleição direta ou nomeação para o mandato-tampão, Couto funciona como amortecedor institucional — governa sem prometer, sem ativar base, sem gerar cobrança no fim do mandato. A população lê legibilidade. E legibilidade, em crise, vira moeda.
O STF sabe disso. A corte adia justamente porque Couto mantém o estado em modo administração enquanto negocia internamente quem será o próximo governador. Mas a aprovação pressiona o tabuleiro: quanto mais o desembargador ganha nos números, mais a corte sente que pode manter a suspensão sem risco reputacional. Suspensão indefinida, porém, é erosão institucional lenta. Quando o custo da indefinição crescer, a corte será forçada a escolher — mandato ou nomeação. Couto, então, deixa de ser amortecedor e vira resto de tabuleiro. Não é o desembargador que governa. É o vácuo que governa através dele. E vácuo tem prazo de validade.