Relatórios do USTR expõem contradição em narrativa do governo Lula
Documentos citam censura, trabalho forçado e Lava Jato — não Flávio Bolsonaro
Em 2 de julho, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) publicou dois relatórios com acusações contra o Brasil. Conforme apurou a Revista Oeste, os documentos de 107 páginas não mencionam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — contrariando a versão do governo Lula, que atribuiu a ameaça de tarifas à viagem do parlamentar a Washington.
O primeiro relatório, baseado na Seção 301, critica ordens secretas do STF contra big techs como X, Meta, Google e Rumble, classificando a prática de "irrazoável" e restritiva ao comércio dos EUA. O segundo propõe tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros por trabalho forçado, em investigação iniciada em março de 2026. O texto da Revista Oeste, no entanto, faz um recorte seletivo: omite que o relatório também lista reclamações comerciais clássicas — barreiras ao etanol, proteção intelectual insuficiente e subsídios à indústria local — que não se encaixam na moldura "PT-STF vs. Bolsonaro".
Há mérito em refutar a narrativa oficial de que Flávio Bolsonaro seria a causa exclusiva das tarifas. O erro está em construir outro exagero. A investigação sobre trabalho forçado atravessa gestões anteriores; o problema é estrutural, não partidário. Tarifas são instrumentos de barganha, não de moralidade. A pergunta que resta não é quem culpar, mas qual é a estratégia brasileira de resposta. Até o Itamaraty se posicionar, qualquer veredito fechado — de qualquer lado — merece a mesma suspeita que aplica ao adversário.