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Radares na RJ-106 entre multas e dúvidas

Diferença de um centavo levanta suspeita. Mas rodovia matou 47 em 2023.

Radares na RJ-106 entre multas e dúvidas
Foto: Reprodução / Agenda do Poder

Segundo a Agenda do Poder, 133 novos radares começam a multar na segunda quinzena de junho na Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), que liga São Gonçalo a Macaé. A instalação já está sob análise do TCE-RJ, após representação do deputado Vitor Júnior (PDT) apontar indícios de irregularidade no pregão.

O questionamento se baseia na margem mínima entre propostas: em um lote, a vencedora apresentou valor um centavo inferior ao da segunda colocada — diferença que soa como indício de combinação. A percepção de caça-níqueis sobre rodas é reforçada pela proximidade entre equipamentos: em Várzea das Moças, Niterói, os radares ficam a 600 metros um do outro. O DER-RJ afirma que a distribuição seguiu critérios de segurança viária.

O argumento arrecadatório, no entanto, depende de uma premissa ainda não testada: a de que a densidade de radares é desproporcional ao risco real. A RJ-106 registrou 47 mortes em 2023. Em 2019, o próprio DER reduziu radares por pressão política — e viu as fatalidades subirem 12% nos trechos desguarnecidos. A diferença de um centavo merece investigação, mas não anula o critério técnico de localização.

A questão deixa de ser se a intenção é multar ou fiscalizar. Passa a ser: se o TCE-RJ suspender os radares e as mortes subirem, quem responde?