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Queda de 20% no eleitorado jovem: retirada estratégica ou barreira técnica?

Mobilização caiu. A dúvida é o motivo.

Queda de 20% no eleitorado jovem: retirada estratégica ou barreira técnica?
Foto: Reprodução / Coisas da Política

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registra, conforme compilação do Coisas da Política, uma queda superior a 20% no número de adolescentes de 16 e 17 anos com título de eleitor para o pleito municipal de 2024, em comparação com o ciclo de 2022. Naquele ano, o país contou com mais de 2,5 milhões de jovens nessa faixa etária habilitados para votar. A justificativa oficial do TSE é a exigência de coleta de biometria presencial, que substituiu o cadastro 100% digital e criou barreira logística adicional.

A leitura dominante é que não foi só burocracia. Pesquisa da Fundação Friedrich Ebert Stiftung, citada pelo portal, aponta que 82% dos jovens brasileiros se identificam com o centro ou a direita, contra 18% que se alinham com a esquerda. No tabuleiro, isso muda o jogo. A esquerda teria mapeado o território — um bloco politicamente hostil — e feito a conta: mobilizar esse eleitorado expõe a derrota. A ausência de campanhas massivas e de celebridades mobilizadoras não seria incompetência, mas engenharia. O mecanismo é gelado. Quando o risco supera o ganho, você retrai o estímulo. O resultado é o vácuo: a esquerda desligou a máquina, a direita não tem uma pronta. E o jovem fica no meio — mais da metade não confia em partidos. É ceticismo de sistema, não de direita ou esquerda.

Há, no entanto, dúvida razoável. A mesma pesquisa mostra que a maioria dos jovens que se dizem de centro ou centro-direita não tem militância consolidada — e já migrou entre Bolsonaro e Lula em ciclos recentes. O dado de 82% é campo movediço, não base política estável. Antes de cravar cálculo estratégico, é preciso controlar por barreira técnica: a biometria presencial reduziu adesão em qualquer grupo, não só no jovem. A pergunta não é se a esquerda parou de chamar. É se o jovem parou de ouvir.