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PT e PL articulam CPMI do Banco Master; Alcolumbre resiste

Disputa não é por transparência. É pelo arbítrio sobre dados sigilosos.

PT e PL articulam CPMI do Banco Master; Alcolumbre resiste
Foto: Reprodução / Diário Carioca Política

Segundo o Diário Carioca Política, PT e PL oficializaram a coleta de assinaturas para instalar uma CPMI sobre as operações do Banco Master, de Daniel Vorcaro. O movimento é formalmente sobre apuração de irregularidades; a leitura real é de disputa pelo controle de informações sigilosas que funcionam como moeda de troca política.

Quem preside a CPMI define convocações, vetos e timing das revelações. PT busca vulnerabilizar atores do círculo liberal; PL tenta o inverso, mantendo capacidade de negociar sigilo sobre operações que afetam financiadores. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, resiste à instalação, alegando duplicidade com investigações do Banco Central e da CVM — justificativa procedimentalmente válida, mas o cerne é estrutural: o Legislativo prefere o impasse, que mantém todos em posição de barganha.

Há, no entanto, precedentes que desafiam a leitura dominante. A CPI dos Correios nasceu de acordos partidários e expôs o mensalão; a CPI da Covid foi articulada pela oposição e revelou erros graves na gestão federal. O motor era político; o resultado, informativo. Ignorar isso é descartar o dado com a água do banho. A variável em aberto é a profundidade técnica que a comissão pode alcançar — se conseguir acesso a documentos do BC, o potencial de expor falhas na regulação é real.

O impasse de Alcolumbre não é obstáculo à verdade. É a verdade funcionando. A próxima rodada é a decisão sobre o requerimento. Até lá, a pergunta não é se PT e PL vão usar a comissão para atacar adversários — é se, entre um ataque e outro, algo de útil será revelado.