PSDB e MBL negociam aliança em SP nos termos de quem não tem mais o que oferecer
Partido não negocia aliança. Negocia qual subordinação aceita.
Segundo a Folha de S.Paulo, PSDB e Missão, partido criado pelo MBL, discutem alianças para 2026 em São Paulo. A proposta em mesa: o PSDB apoia Renan Santos (Missão) à Presidência; o MBL retribui com apoio a Paulo Serra (PSDB) ao governo paulista. O acordo depende de dois movimentos — Kim Kataguiri (Missão) retirar pré-candidatura ao governo; Aécio Neves (PSDB) não entrar na disputa presidencial.
A leitura de jogo, no entanto, é outra. PSDB não está em posição de negociar. Está em posição de aceitar. Quando oferece apoio presidencial em troca de aval a Paulo Serra, admite que não tem candidato presidencial viável e que seu nome próprio depende de um passe externo. Há uma década, o partido era centro de gravidade. Hoje negocia acesso com atores que antes orbitavam ao redor. O verdadeiro movimento está em outra escala: Tarcísio de Freitas articula paralelo para capturar o PSDB em São Paulo — oferece máquina e recursos, cobra invisibilidade. O PSDB entra na coligação, Paulo Serra sai reforçado, e o partido vira apêndice do governo estadual.
O Missão funciona em lógica oposta. Quando oferece retirada de Kim e alinhamento a Tarcísio, não cede. Posiciona-se como garantidor de fluxo entre blocos. O MBL entende que o preço de estar na mesa é aceitar a lógica da máquina. O PSDB ainda não aceitou isso com clareza. O ponto de ruptura não são os nomes. É que o partido perdeu a função de escolher. Agora decide entre duas subordinações possíveis: à direita do MBL ou à máquina estadual. Nenhuma o reposiciona. Em política, irrelevância começa quando o ator deixa de escolher e passa a aceitar.