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PSDB e Missão negociam aliança condicionada a desistência de Kataguiri

Acordo não é aliança. É troca de isolamento por sobrevivência.

PSDB e Missão negociam aliança condicionada a desistência de Kataguiri
Foto: Reprodução / Vero Notícias

Segundo a Vero Notícias, PSDB e Missão — partido ligado ao MBL — intensificaram conversas para uma aliança em 2026. O modelo em negociação prevê que os tucanos apoiem a candidatura presidencial de Renan Santos (Missão) em troca de apoio à reeleição do prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), ao governo de São Paulo. O acordo, no entanto, depende de duas condições: Kim Kataguiri desistir de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes e o PSDB abrir mão de candidatura própria à Presidência.

A negociação não é sobre 2026. É sobre o que restou do PSDB depois de 2024. O partido chega a 2025 sem estrutura presidencial clara, sem competitividade em São Paulo e ameaçado por uma coligação de Tarcísio de Freitas (Republicanos) que se forma sem ele. Abrir mão de candidato presidencial próprio não é concessão tática — é admissão de derrota. Aécio Neves segue em "discussão interna", a linguagem que diz que não voa mais nem dentro do partido. O que o PSDB oferece ao Missão é previsibilidade (apoio presidencial que ninguém mais dá) em troca do isolamento de Kim, que disputaria votos conservadores com Serra. O Missão oferece um candidato a governador que, por enquanto, não existe.

Tarcísio observa esse tabuleiro como quem está fora do jogo. Já ofereceu aos tucanos espaço em sua coligação. Sabe que quanto mais tempo a negociação durar, mais fraco o PSDB fica. Se o acordo não sair, os tucanos chegam ao seu gabinete negociados e debilitados. Se sair, terão renunciado à liderança em São Paulo — e Tarcísio os convidará para sua base em condições piores. A questão deixa de ser sobre Renan Santos ou Paulo Serra. É sobre quem pode ameaçar quem. Nesta partida, o PSDB negocia sozinho. E, sozinho, perde poder a cada minuto.