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PSDB acusa líder do governo Tarcísio de violência política de gênero na Alesp

Rito disputado em dois planos: jurídico e narrativo

PSDB acusa líder do governo Tarcísio de violência política de gênero na Alesp
Foto: Reprodução / Vero Notícias

De acordo com a Folha de S.Paulo, o PSDB protocolou representação contra o deputado Gilmaci Santos (Republicanos), líder do governo Tarcísio de Freitas na Alesp, por violência política de gênero contra a deputada Ana Carolina Serra (PSDB). A acusação ocorre após discussão em comissão sobre a presença do presidente da Sabesp, Carlos Piani, em sessão sem quórum suficiente.

O PSDB acionou o mecanismo formal — o que qualquer partido faria ao sentir constrangimento de uma parlamentar. O argumento, porém, depende de uma premissa central: que a retirada de Piani foi motivada por gênero, não por decisão técnica de preservação de quórum. O Republicanos defendeu lastro regimental. Se o rito foi aplicado de forma consistente entre gêneros e partidos, a denúncia perde força; se seletivo, ganha.

O momento político adiciona camada: a sabatina ocorre em meio à negociação da privatização da Sabesp. A denúncia opera também como instrumento de pressão em negociação mais ampla. Em 2021, o mesmo partido usou instrumento semelhante contra base governista em comissão orçamentária — rito defendido como técnica. Agora, denunciado como violência. A diferença está no gênero da parte lesada, mas também no jogo.

A representação será analisada pela Corregedoria. A resposta dependerá de atas, testemunhas e histórico de condutas. Até lá, a disputa corre em dois planos — e o rito é a ferramenta, não a causa.