Projeto libera autosserviço em postos nos fins de semana
Risco de desemprego existe. Mas esconde uma pergunta mais incômoda.
Segundo o portal Coisas da Política, o deputado Marcelo Freitas (União-MG) apresentou projeto que autoriza o motorista a abastecer o próprio veículo em postos aos sábados, domingos e feriados. A proposta altera lei que hoje exige frentista, mantendo ao menos um funcionário no local para emergências.
O PL é justificado como redução de custo operacional — com potencial queda no preço final. A leitura dominante, no entanto, é de alarme: sindicatos estimam 500 mil empregos formais ameaçados. Premissa: que cortar custo leva a demissão em massa. Ela ignora o comportamento real de setores que passaram por automação semelhante. Nos EUA, o autosserviço é regra há décadas; o número de frentistas caiu, mas não a zero. A função migrou para atendente de loja de conveniência — ponto de venda de café e recarga. O Brasil tem 45 mil postos. Em horário comercial, o cliente prefere não sair do carro. O custo de substituir todo o turno por automação é alto; o ganho marginal é pequeno. O ajuste tende a ser localizado: beira de estrada e baixo movimento.
A questão não é se o autosserviço vai gerar desemprego. É se vai transformar a função — e o custo dessa transformação. O projeto ainda tramitará por comissões. O saldo líquido de empregos, até 2027, continua em aberto.