📨 Em breve: a newsletter semanal do kdb
kdbnoticias

Privatização do Memorial da América Latina gera críticas e expõe esvaziamento prévio

Projeto ignora função acadêmica. Mas gestão pública já vinha desvirtuando o Memorial há 20 anos.

Privatização do Memorial da América Latina gera críticas e expõe esvaziamento prévio
Foto: Reprodução / Brasil de Fato

A inclusão do Memorial da América Latina no Programa de Parcerias de Investimentos de São Paulo (PPI-SP) gerou críticas internas do presidente da fundação que administra o espaço.

Segundo o Brasil de Fato, Marcos Mastrobuono afirmou que os documentos do processo tratam o Memorial como mero 'ativo cultural', ignorando sua natureza acadêmica e científica, com Cátedra Unesco, convênios com USP, Unesp e Unicamp, e o Centro Brasileiro de Estudos da América Latina (CBEAL). A medida, publicada em 14 de maio, foi assinada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A ausência dessas instituições na modelagem do PPI-SP é um dado factual que sustenta a denúncia.

O argumento, no entanto, depende de uma premissa: que a gestão pública vinha cumprindo essa missão acadêmica. O próprio Mastrobuono reconhece que a vocação do Memorial vinha sendo 'progressivamente esvaziada' por governos anteriores, que o limitaram a espaço de locação para eventos. Se durante duas décadas o Memorial já operava como palco de eventos bancado pelo Estado, a privatização não cria o problema — institucionaliza uma realidade que já existia. O esforço de Mastrobuono para reverter o quadro é recente e ainda não produziu resultados estruturais.

A pergunta que a crítica não responde é qual o plano B para financiar a missão acadêmica em um contexto de orçamentos apertados. O modelo de gestão pública pura já se mostrou insuficiente para manter o centro de pesquisa sem depender de aluguel de espaço. Ainda não dá para saber se a concessão será pior ou melhor — depende do desenho do contrato. Mas o debate sobre o modelo ideal deveria começar pelo fato de que o Memorial de Darcy Ribeiro, no papel, é um centro de excelência. O Memorial real, na prática, já vinha sendo desvirtuado pela própria gestão pública.