Haddad antecipa plano de segurança em SP
Movimento busca neutralizar crítica recorrente. O risco é outro.
Segundo o Vero Notícias, a pré-campanha de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo decidiu antecipar a divulgação de diretrizes para segurança pública. O movimento, segundo o deputado Emídio de Souza (PT), coordenador do programa, responde a um padrão: adversários apontam fragilidade da esquerda no tema. As primeiras propostas devem sair ainda em julho. Até aqui, há apenas intenção sem conteúdo — não se sabe se o plano terá eixos como integração de polícias, inteligência ou tecnologia.
A leitura dominante é que Haddad precisa provar que 'leva a sério' segurança. O diagnóstico, no entanto, depende de uma premissa: que a ausência de propostas explica a derrota eleitoral em SP. Não está claro se é isso. O antipetismo estrutural e a má avaliação de governos petistas pesam mais. Onde a premissa também falha: o PT não está em jejum de ideias. Lula criou o PRONASCI em 2007 e reduziu homicídios em cerca de 40% entre 2003 e 2013. O problema foi executar um programa consistente em dois mandatos estaduais em SP, onde o governo petista perdeu o controle da narrativa com a PM.
A conta que ninguém discute: se Haddad lançar um plano duro, captura o centro. Se soar progressista demais, mantém a base. O risco não é só de reposicionamento — é de alienar a militância sem convencer o eleitor mediano. A próxima rodada é o conteúdo do programa. Até lá, o que está em jogo é se Haddad terá coragem de propor uma reforma na PM de SP, ou se tratará o tema com o pudor de 2014.