PM usou documentos falsos para simular influência no Gaeco, diz MPRJ
Policial montou personagens e forjou provas para enganar facção. A perícia desmontou o teatro.
Redação KADDABRA ·
Conforme apurou o site Agenda do Poder, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) concluiu que o cabo da PM Luciano da Costa Ramos Júnior falsificava documentos e forjava conversas para convencer integrantes do Comando Vermelho de que tinha acesso privilegiado ao Gaeco. A perícia do órgão identificou falhas grosseiras nas provas — ausência de assinaturas, protocolos inexistentes, crimes com tipificação incorreta.
Das peças compartilhadas, apenas uma era legítima: as alegações finais de um processo de 2021 sem sigilo. O restante era invenção. Em uma das mensagens, o PM dizia estar saindo do prédio do Gaeco após uma reunião. As câmeras de segurança não registraram sua entrada nem permanência no local naquele dia. A investigação revelou ainda que Luciano criava personagens fictícios e citava supostos promotores para dar aparência de credibilidade.
O cabo usou o nome do Ministério Público como moeda de troca com a facção. O sistema de segurança pública — com seus gargalos de informação e vaidades — oferecia o terreno fértil: um policial de patente baixa que vendia acesso a um órgão que, de fato, ele nunca frequentou. A operação da Polícia Federal resultou na prisão do PM. O teatro terminou quando a perícia mostrou que a única peça verdadeira era a que não valia nada.