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Plenária sobre justiça climática no Pampa reúne mulheres e juventudes em Porto Alegre

Queda de 42% no desmatamento é celebrada. A métrica que importa para o Pampa é outra.

Plenária sobre justiça climática no Pampa reúne mulheres e juventudes em Porto Alegre
Foto: Reprodução / Brasil de Fato

Segundo o Brasil de Fato, Porto Alegre recebe na quarta-feira (10) a Plenária das Mulheres e Juventudes nos Biomas, última etapa de um ciclo nacional articulado pelo Ministério das Mulheres e pela Secretaria-Geral da Presidência. O evento gratuito, no Centro Cultural da Ufrgs, debate justiça climática com recorte de gênero, raça e juventude, a partir de demandas da COP30. A edição é dedicada ao Pampa, bioma que ocupa 63% do território gaúcho.

Há consenso de que o desmatamento no Pampa caiu 42% em 2024 — dado celebrado por governos federal e estadual. O argumento, no entanto, depende de uma premissa: que o monitoramento por satélite capta corretamente a supressão da vegetação campestre. O Pampa não é floresta. Pesquisadores como Valério Pillar, da Ufrgs, apontam que os sistemas automáticos foram desenhados para detectar perda de cobertura arbórea, não de campos nativos. O MapBiomas informa que a perda de vegetação campestre no Rio Grande do Sul gira em torno de 140 mil hectares por ano entre 2012 e 2023 — e não há evidência pública de que esse ritmo tenha caído em 2024.

A queda comemorada pode não ser a que mais importa. A consequência de celebrar um número que não reflete a principal pressão sobre o bioma é reduzir o incentivo político para enfrentar o avanço da soja e do eucalipto sobre os campos. A próxima rodada é o levantamento desagregado por tipo de vegetação. Ele dirá se o que caiu foi o desmatamento ou apenas a visibilidade dele.