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Plano de Lula para minerais críticos enfrenta resistência no próprio governo

Conselho presidencial trava. O ministério que deveria pilotar a mudança trabalha contra.

Plano de Lula para minerais críticos enfrenta resistência no próprio governo
Foto: Reprodução / Carta Capital

Segundo a CartaCapital, o plano do presidente Lula para criar um conselho vinculado à Presidência com poder sobre a industrialização de minerais críticos enfrenta resistência dentro do governo e no setor privado. O projeto, aprovado na Câmara em maio, aguarda votação no Senado.

A resistência mais relevante não vem do Congresso ou do mercado internacional — vem de dentro do próprio governo. O Ministério de Minas e Energia atua em sintonia com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para reduzir as atribuições do conselho. Anderson Barreto, diretor da pasta, funciona como articulador dessa posição. Não é incoerência ideológica: o ministério ganhou relevância com o crescimento do setor mineral, e um conselho presidencial que centralize decisões reduz seu escopo de ação. Barreto perde função. É xadrez, não dama.

O conselho daria ao Planalto poder de veto sobre transações como a compra da Serra Verde, em Goiás, por empresa norte-americana — negócio que hoje não exige aprovação federal. Lula afirmou em reunião ministerial que "quem quiser explorar minerais críticos vai ter que conversar com o governo brasileiro". Mas, para isso, precisa primeiro conversar com seu ministério. O Senado parado desde maio não é incompetência regimental. O projeto só avança quando houver coesão interna — e hoje, não há.