Planalto vê curto prazo sem reversão de classificação de facções como terroristas pelos EUA
Washington não pediu permissão. Brasília perde a mediação.
Conforme apurou a Vero Notícias, o governo Lula avalia que a decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas não terá efeitos imediatos sobre as facções. Mas a leitura interna, ouvida em reserva, é que reverter a medida será politicamente inviável no curto prazo. A classificação entra em vigor nesta sexta-feira (5).
Não é sanção contra o Brasil. É declaração de soberania operacional. Washington informa que aplicará ferramentas de combate ao terrorismo — bloqueio de ativos e restrições financeiras — independentemente de como a lei brasileira nomeie os grupos. O custo real não será administrativo, será difuso: empresas e bancos com qualquer vínculo investigativo com as facções serão blindados de crédito e operações em dólar por cálculo de risco de mercado. A pressão virá antes do decreto.
Para o Planalto, a perda é de mediação. A aposta de que a sofisticação da segurança pública brasileira serviria como credencial junto a Washington foi derrubada. O Itamaraty analisa canais de negociação, mas a reversão exigiria que os EUA reconhecessem mudança no padrão de ação dos grupos — movimento improvável. Brasília não altera a classificação interna porque não consegue. Muda porque será pressionada economicamente.