Planalto condiciona reunião Lula-Trump no G7 a avanço técnico nas tarifas
Encontro depende de pauta. O gesto, nem tanto.
Redação KADDABRA ·
Segundo a coluna de Jussara Soares na CNN Brasil, o Planalto condiciona uma nova reunião entre Lula e Trump, durante o G7 em junho na França, ao avanço das negociações técnicas sobre as tarifas dos EUA. Uma videoconferência entre os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa e o chefe do USTR, Jamieson Greer, decidirá se o encontro de cúpula se justifica. Auxiliares avaliam que, sem avanço concreto, o gesto repetiria o que já foi dito na Casa Branca em maio.
A tese é prudente. Mas depende de uma premissa: que o encontro será lido apenas como continuidade do expediente técnico, e não como validação política da pressão tarifária americana. Em diplomacia, o encontro é o gesto. O fato de Lula buscar Trump num G7 onde o Brasil é convidado já reposiciona a narrativa — o Brasil cede ao chamamento, mesmo que taticamente. Em 2023 e 2024, a mesma equipe evitou encontros bilaterais com Biden em temas sensíveis para não sinalizar subordinação. Agora, a equação mudou.
A consequência de segunda ordem é doméstica. Se Lula se encontrar com Trump e não houver avanço tarifário, o gesto será cobrado como concessão sem contrapartida. O Planalto aposta que a pauta técnica avançará. Mas negociações baseadas na Seção 301 são longas e assimétricas — a balança pende para quem aplicou a tarifa. A pergunta que falta é: o governo tem uma linha de queda caso as reuniões técnicas não avancem? Ou o encontro se tornará inevitável por pressão de agenda, independentemente do mérito?