PF e Moraes preparam novas operações contra milícias e CV no RJ
Não é só investigação. É mapeamento de quem negocia com o crime — e em que nível da máquina.
Redação KADDABRA ·
Segundo o Metrópoles, a Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, preparam novas fases do inquérito que investiga conexões entre agentes públicos, milícias do Rio e o Comando Vermelho. As medidas podem ser autorizadas pelo STF nos próximos dias. Em março, a Operação Anomalia já havia prendido policiais e dois delegados — um da PF, outro da Polícia Civil fluminense.
A PF não está investigando o CV. Está mapeando quem negocia com o CV — e em qual nível da máquina. Cada operação não prende só o suspeito. Radioativiza a estrutura. Quando Moraes autoriza, não autoriza só prisão. Autoriza ocupação de um espaço que antes era administrado por atores locais: delegados, polícia estadual, governador. Agora, investigação de crime organizado no Rio passa pelo STF. Passa por Moraes. O mecanismo é claro: cada suspeita de ligação entre autoridade e facção vira pretexto para expansão de jurisdição federal. A facção é o condutor. O objetivo é o fluxo de poder.
Quem perde? Governador, polícia civil, delegados locais — todo ator que operava aquele espaço. Quem ganha? Ministro do STF com mandado blindado e PF com agenda própria. Em 2018, Moro fez movimento análogo em Curitiba. Em 2021, idem com Bolsonaro. A arquitetura é a mesma. Muda só o adversário. O Rio está radioativizado. A próxima rodada testa se a estrutura estadual consegue negociar de volta ou aceita subordinação. A história mostra que, quando a força superior já marcou território, o que vinha antes vira borda.