📨 Em breve: a newsletter semanal do kdb
kdbnoticias

Pesquisa Paraná Pesquisas reabre pressão sobre candidatura de Douglas Ruas no RJ

Número documenta fracasso. Engenharia falhou na sequência.

Pesquisa Paraná Pesquisas reabre pressão sobre candidatura de Douglas Ruas no RJ
Foto: Reprodução / Elizeu Pires

Segundo o colunista Elizeu Pires, pesquisa do instituto Paraná Pesquisas, divulgada entre 1º e 3 de junho, acendeu alerta no entorno do pré-candidato ao governo do Rio pelo PL, Douglas Ruas. O levantamento, registrado no TSE sob o número RJ-05645/2026, ouviu 1.680 eleitores e tem margem de erro de 2,4 pontos percentuais. Na estimulada, Eduardo Paes (PSD) lidera com 48,3%; Ruas aparece com 12,6%. No segundo turno simulado, a diferença se amplia: 60% a 24,5%.

O número, no entanto, é sintoma, não causa. A candidatura de Ruas foi montada sobre uma premissa que não se sustentou: o mandato-tampão. O plano original de Claudio Castro, Flávio Bolsonaro e Altineu Cortes previa que um governador do bloco ocuparia Brasília, deixando caminho institucional livre para Ruas herdar o Palácio Guanabara. Ninguém sentou lá. Sem governança prévia, Ruas compete como novato contra um Paes que já administrou a capital e acumula nome consolidado. Na Baixada Fluminense, reduto histórico do PL, prefeituras já migram. Renato Cozzolino Harb, reeleito em Magé com 90%, anunciou apoio a Paes — sinal de que prefeitos leem o mesmo mapa.

Há, no entanto, quem leia o mapa com outras coordenadas. O argumento de que a pesquisa inviabiliza a candidatura depende de uma premissa: que números absolutos em junho preveem resultado de outubro. Em 2018, o então desconhecido Wilson Witzel surfou o antipetismo e venceu Paes no primeiro turno. Paes também carrega rejeição conhecida — a pesquisa não pergunta quem o eleitor rejeita, e quando outros levantamentos o fazem, ele está entre os mais citados. Número alto em junho com 12,9% de brancos e nulos pode indicar voto útil antecipado, não adesão real. O próprio Garotinho, que aparece com 9,2%, já protagonizou viradas mais difíceis.

O que a pesquisa revela é que a arquitetura falhou na sequência. Precisava-se de governador antes, não depois. Agora, a viabilidade de Ruas será testada por duas variáveis: a rejeição de Paes nos próximos levantamentos com cenário espontâneo, e a capacidade de Ruas pautar temas que não sejam a própria inviabilidade. A próxima rodada são as convenções partidárias. Até lá, o argumento de que a candidatura é canoa furada sobrevive ao primeiro teste dos números. Ainda falta o teste do tempo.