PEC do 6×1: pressão sobe, Senado regula
Alcolumbre não trava. Negocia o preço da capitulação. Cleitinho sai de cena.
Redação KADDABRA ·
Segundo o Brasil de Fato, a semana no Congresso começa com expectativa sobre os próximos passos da PEC que reduz a jornada de trabalho e extingue a escala 6×1. Cresce a pressão de trabalhadores e redes sociais sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que indique o andamento da matéria. O senador defende que a proposta seja debatida com o setor empresarial antes de avançar.
Davi Alcolumbre não está resistindo à redução da jornada. Está negociando o preço de sua capitulação. Exigir mais comissões, debater com empresários, sinalizar que a PEC pode tramitar em ritmo próprio — isso é engenharia de amortecimento. Transforma a demanda de rua em tramitação institucional, onde a cúpula do Senado controla o calendário. O movimento de Cleitinho, que retirou assinatura da própria PEC que ajudou a formular, não é fraqueza da pauta. É evidência de que o custo político começou a pesar — e quando um senador que disputa reeleição sente essa pressão, o Senado inteiro sente.
Há consenso de que a mobilização é real. O argumento de que será suficiente para aprovar a PEC, no entanto, depende de uma premissa: que pressão popular organizada altera o cálculo de votos no Congresso. O histórico sugere o contrário — reforma trabalhista de 2017 e PEC do voto impresso em 2021 são precedentes de pautas populares que morreram nas comissões. A CCJ do Senado, por onde a PEC precisa passar, tem maioria conservadora. A próxima rodada testa resistência. Se a mobilização sustenta pressão por mais dois meses, Alcolumbre cede como construtor de consenso, não como vencido. Se a pressão desidrata, a PEC entra na prateleira. O poder sabe que, com tempo, toda rua se cansa.