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Paes vê helicóptero da Core em resgate de PM; policial morre

Cena forte. Mas cena não é plano, e o Rio já viu essa narrativa antes.

Paes vê helicóptero da Core em resgate de PM; policial morre
Foto: Reprodução / Agenda do Poder

Segundo o perfil Agenda do Poder, Eduardo Paes (PSD) testemunhou nesta segunda (1º) o acionamento do helicóptero aeropolicial da Core para socorrer o sargento Adriano Pereira de Souza, baleado em operação em Rocha Miranda. O policial não resistiu.

A imagem do helicóptero decolando para resgatar um PM é dramática e genuína. Paes fez bem em registrá-la e prestar solidariedade. Ninguém sensato questiona a gravidade do momento. O problema não está no que foi dito — "valorizar, equipar e dar inteligência" —, mas no que a narrativa precisa esconder para funcionar como peça de campanha.

A premissa implícita é que o vídeo prova diagnóstico: falta equipamento e vontade política. Para isso ser verdade, seria necessário ignorar que a cidade do Rio, governada por Paes por oito anos, segue com letalidade policial entre as mais altas do país e taxa de homicídios que dobra a média nacional. A Core existe desde 2013. O helicóptero não é novo. O que mudou, além do candidato?

Há consenso de que Paes capturou um momento de rara potência visual. O argumento político, no entanto, depende de que a comoção se traduza automaticamente em competência de gestão. E o histórico de doze anos de governos no estado — inclusive do próprio partido de Paes — sugere o contrário: o Rio já teve secretários de segurança celebrados como mudança de paradigma. As execuções continuaram.

O vídeo humaniza o pré-candidato, o que é legítimo. Mas reduz o debate a uma cena de heroísmo, desviando o foco de variáveis incômodas como modelo de policiamento e corrupção intramuros. O Rio não precisa de um governador que apenas se emocione com a farda. Precisa de um que explique como mudar o sistema que faz do helicóptero de resgate uma rotina.

A próxima rodada é a apresentação do plano de governo. Até lá, a cena da Core não é política de segurança. É um instantâneo. E instantâneos, por mais reais que sejam, não substituem série histórica.