EUA recomendam tarifa de 25% sobre o Brasil
Seis frentes de acusação. O problema não é a soberania. É o lastro.
Segundo a CartaCapital, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) recomendou a Donald Trump a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A conclusão é de uma investigação iniciada em julho, sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O USTR acusa o Brasil de práticas "irrazoáveis" em seis áreas: Pix, etanol, combate à corrupção, propriedade intelectual, patentes biofarmacêuticas e desmatamento.
Há consenso no Brasil de que o relatório é protecionista e datado. O Pix é eficiente e popular. O desmatamento caiu em 2024. A crítica à atuação de Dias Toffoli na Lava Jato é vista como ingerência. O argumento é compreensível — e, em grande parte, correto no mérito. Mas o jogo não se vence apenas com razão. A premissa americana, para funcionar, precisa que o Brasil seja de fato um ambiente hostil em setores específicos. O Pix não é o problema. O problema é que o Banco Central opera e regula o mesmo sistema — um conflito de interesses que o Brasil mesmo condenaria em outros países. A anulação de provas da Lava Jato, citada no relatório, não é defesa de um método de investigação: é evidência, para o investidor estrangeiro, de que o Brasil não oferece previsibilidade jurídica no combate a suborno.
O governo brasileiro precisa provar o contrário com dados e transparência regulatória, não apenas com retórica de soberania. A consequência de segunda ordem é que o Brasil arrisca uma escalada tarifária em que perde mais que os EUA. O etanol brasileiro tem substituto; o aço, também. A pauta americana de retaliação é limitada. Até o momento, o que se vê do lado brasileiro são notas de desagravo, não contraprovas técnicas. A consulta pública aberta pelo USTR é a primeira rodada. Se o Brasil levar lastro, estará no jogo. Se levar apenas indignação, perderá no mérito — mesmo tendo razão de fundo.