Nomeada do governo do RJ presa por fraude com obras de arte usava nome falso
Governo não detectou dupla identidade. Falha sistêmica ou apadrinhamento?
De acordo com o blog Coisas da Política, a prisão de uma nomeada do governo do estado do Rio de Janeiro revelou uma falha nos mecanismos de verificação da administração estadual. Michele, nomeada sob o nome de 'Mia Montenegro', foi presa acusada de envolvimento em fraudes milionárias com obras de arte. Ela recebia salário bruto mensal de cerca de R$ 16 mil.
O caso virou símbolo de suposta conivência do governo fluminense. A leitura dominante sugere que uma pessoa com histórico nebuloso só entrou no funcionalismo porque tinha um padrinho forte. O argumento depende, no entanto, de uma premissa: que a área de recursos humanos tinha acesso, no momento da nomeação, aos dados que tornavam a servidora um risco evidente. É uma premissa que raramente se sustenta quando examina o sistema real de contratações. O funcionalismo público brasileiro opera com cadastros defasados e checagens que não alcançam investigações em andamento sem trânsito em julgado. A falha pode ser sistêmica, não política.
A questão deixa de ser "quem blindou Michele" e passa a ser "como o governo não sabia o que já estava nos autos". Até agora, nenhum registro de ligação direta entre ela e parlamentares foi apresentado. A ausência de prova não prova a tese do apadrinhamento.