📨 Em breve: a newsletter semanal do kdb
kdbnoticias

Nomeada do governo do RJ presa por fraude com obras de arte usava nome falso

Governo não detectou dupla identidade. Falha sistêmica ou apadrinhamento?

Nomeada do governo do RJ presa por fraude com obras de arte usava nome falso
Foto: Reprodução / Coisas da Política

De acordo com o blog Coisas da Política, a prisão de uma nomeada do governo do estado do Rio de Janeiro revelou uma falha nos mecanismos de verificação da administração estadual. Michele, nomeada sob o nome de 'Mia Montenegro', foi presa acusada de envolvimento em fraudes milionárias com obras de arte. Ela recebia salário bruto mensal de cerca de R$ 16 mil.

O caso virou símbolo de suposta conivência do governo fluminense. A leitura dominante sugere que uma pessoa com histórico nebuloso só entrou no funcionalismo porque tinha um padrinho forte. O argumento depende, no entanto, de uma premissa: que a área de recursos humanos tinha acesso, no momento da nomeação, aos dados que tornavam a servidora um risco evidente. É uma premissa que raramente se sustenta quando examina o sistema real de contratações. O funcionalismo público brasileiro opera com cadastros defasados e checagens que não alcançam investigações em andamento sem trânsito em julgado. A falha pode ser sistêmica, não política.

A questão deixa de ser "quem blindou Michele" e passa a ser "como o governo não sabia o que já estava nos autos". Até agora, nenhum registro de ligação direta entre ela e parlamentares foi apresentado. A ausência de prova não prova a tese do apadrinhamento.