Negociação comercial entre Brasil e EUA é 'incipiente' e reversão de tarifa improvável, diz ex-OMC
Seção 301 é o novo instrumento do tarifaço. A pergunta é se há espaço para acordo.
Segundo a CNN Brasil, o ex-diretor-geral da OMC Roberto Azevêdo afirmou que as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos são 'incipientes' e a chance de reverter as tarifas de 25% propostas é 'remota'. A avaliação foi feita em entrevista publicada nesta terça-feira (2), mesma data em que o USTR oficializou a investigação sob a Seção 301.
A tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não é um número fixo — é um marcador. O USTR acusa o Brasil de práticas desleais em seis áreas, do Pix ao etanol. Azevêdo classifica a Seção 301 como 'plano B' do governo Trump após a Suprema Corte suspender o tarifaço de abril, que chegava a 40%. O instrumento mudou, mas o jogo é o mesmo: ocupar espaço de pressão antes de qualquer negociação real.
O governo brasileiro reagiu com 'indignação', mas Azevêdo vê margem para ajustes que vão além dos temas listados — de terras raras a barreiras mútuas. O problema é o calendário eleitoral nos dois países, que reduz o custo político de não ceder. O custo era alto. Hoje, é baixo. E quando o custo é baixo, a coerção tende a crescer.