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Morte de JK: 48 anos entre a versão oficial e o que não se provou

Indícios apontam assassinato. Prova judicial, não.

Morte de JK: 48 anos entre a versão oficial e o que não se provou
Foto: Reprodução / Carta Capital

A morte de Juscelino Kubitschek completa 48 anos sob contestação da versão oficial. Segundo a Carta Capital, em 22 de agosto de 1976, a ditadura militar montou uma investigação que adulterou o local, subornou testemunhas e inventou um culpado: o motorista de ônibus Josias de Oliveira. A reportagem sustenta que JK foi assassinado porque representava, após as eleições de 1974, uma via de redemocratização.

A tese do assassinato se apoia em evidência circunstancial robusta: ameaças anteriores, tentativa de atropelamento meses antes, negativa de pouso em 1972, e a mesma equipe investigando a morte de JK e de Zuzu Angel. As apurações da Comissão da Verdade e do Ministério Público Federal reforçam a narrativa. Há, no entanto, um limite: nenhum documento primário ou sentença judicial confirmou a ordem direta de eliminação. O que existe é compatível com assassinato, mas também com negligência criminosa ou aproveitamento de um acidente real.

A ausência de prova material conclusiva não invalida a tese — a coloca no campo da convicção histórica, não do fato jurídico. A ditadura mentiu, adulterou, coagiu. Isso é documentado. Entre a mentira oficial e a verdade completa, há um espaço que a história ainda não preencheu. A questão deixa de ser se JK foi assassinado e passa a ser por que o Estado brasileiro nunca revisitou oficialmente a versão de 1976.