Moraes homologa acordo com deputado do PL investigado pelos atos de 8 de janeiro
Não é clemência. É recalibragem da perseguição penal.
Redação KADDABRA ·
Segundo o Vero Notícias, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, homologou o acordo de não persecução penal entre a PGR e o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL-MG), investigado por participação nos atos de 8 de janeiro de 2023. Para aderir ao instrumento, o parlamentar reconheceu os crimes de incitação contra os Poderes constituídos e ataques ao sistema eleitoral. As condições são leves: 150 horas de serviço comunitário e pagamento de R$ 5 mil de indenização.
A decisão parece clemência. É engenharia processual. Desde janeiro de 2023, a investigação do 8 de Janeiro operou em ritmo de acusação dramática — prisões em série, cobertura midiática intensa. O custo político dessa abordagem cresceu, e o calendário mudou. Com o impeachment seco e as eleições municipais na rotina, a narrativa do golpismo ativo esgotou função. O acordo converte ação penal em negociação: reconhecimento de culpa em troca de encerramento previsível. Para o PL, é blindagem tática. Para o STF, é gestão de narrativa — vitória simbólica sem manter chamas acesas.
O risco sistêmico está em outro lugar. Se Moraes homologa acordo com um deputado do PL investigado pelo 8 de Janeiro, qual é a barreira para dezenas de outros? A investigação não termina por falta de provas. Termina por reconfiguração de custos e fadiga institucional. A próxima rodada testa se o padrão se consolida ou se o Planalto resiste.