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Governo anuncia calendário fechado para BR-319

Não é obra de estrada. É corrida contra o Judiciário.

Governo anuncia calendário fechado para BR-319
Foto: Reprodução / CNN Brasil

De acordo com o ministro dos Transportes, George Santoro, em entrevista à CNN, as obras de repavimentação dos quatro lotes do trecho do meio da BR-319 devem começar até o final de junho — segundo lote assinado na próxima semana, demais contratos até 15 de junho. O primeiro lote já foi homologado, com presença do presidente Lula em Manaus.

O calendário parece técnico. É blindagem. Em maio, a Justiça Federal do Amazonas suspendeu a licitação em 24 horas, revertida horas depois pelo TRF-1. A mensagem passou: há ator na estrutura judiciária capaz de interditar o processo a qualquer momento. O governo responde com velocidade — cada ordem de serviço assinada é um ponto de difícil reversão. Quanto mais avançado o trecho burocrático, mais caro fica interromper. Não é administração pública. É corrida contra relógio institucional.

Há, no entanto, premissa que sustenta o consenso de que a rodovia é estratégica para integração do Amazonas — e que o argumento depende de que a repavimentação sirva apenas para escoamento, não para ocupação. Dados do INPE e do IPAM mostram que, em rodovias amazônicas como a BR-163 e a BR-230, pavimentação foi seguida por aumento de desmatamento em raio de até 50 km. A BR-319 corta floresta primária contínua, com baixa presença do Estado e histórico de grilagem. Não há plano de fiscalização publicado com métricas claras. O asfalto reduz o custo de entrada de ilegais — e onde o custo caiu, o desmatamento subiu.

O governo acelera contratos. O ambientalismo tem acesso a liminar em 48 horas. A próxima rodada não é técnica — é saber quem chega primeiro.