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Marcha para Jesus reúne Flávio, Tarcísio e relator do caso Master

O encontro não é só fé. É teste de fricção entre investigação e blindagem.

Marcha para Jesus reúne Flávio, Tarcísio e relator do caso Master
Foto: Reprodução / Brasil de Fato

Segundo o Brasil de Fato, a Marcha para Jesus em São Paulo, nesta quinta (4), reúne o senador Flávio Bolsonaro (PL), o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. O evento ocorre após a divulgação de mensagens que mostram Flávio pedindo R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme 'Dark Horse', sobre Jair Bolsonaro — dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos em seis operações.

A presença de Flávio não é devoção. É cirurgia política. Ausente na edição do Rio em maio, ele precisa resgatar apoio evangélico que vazou. Mas há movimento mais refinado no palco. Tarcísio declarou autonomia da Polícia Civil — que, sob seu comando, investiga contratos da Prefeitura de São Paulo com entidade ligada à produtora do filme. Tradução: o governador não oferece escudo a Flávio, mas blindagem institucional a si mesmo. Ricardo Nunes chamou a investigação de perseguição. Tarcísio recusou o mesmo argumento — cálculo eleitoral puro.

Há, no entanto, leitura que tensiona o consenso. André Mendonça estará no mesmo espaço que o investigado e o fiador político. O que está em jogo nos bastidores não é apenas o voto evangélico — é a engenharia de blindagem institucional. Em 2023 e 2024, eventos religiosos serviram como arena para barrar CPIs e acelerar pautas de grupos sob investigação. Agora, com mensagens explícitas e valores altos, a marcha não é só ato de fé: é um teste de fricção entre a próxima revelação e o custo de absorvê-la.

O evento de hoje reconstrói pontes. Mas a questão deixa de ser se a simbologia religiosa neutraliza a materialidade das revelações. Passa a ser: até quando.