Lula aposta em Trump como canal direto para conter tarifaço
Planalto ignora Rubio e testa se Trump mantém margem de negociação
Segundo o Vero Notícias, o presidente Lula articula negociação direta com Donald Trump para evitar novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros. A estratégia foi definida nos últimos dias no Palácio do Planalto, onde auxiliares avaliam que o secretário de Estado Marco Rubio atua mais alinhado à família Bolsonaro. O diagnóstico é que Rubio não serve como interlocutor neutro — e que o caminho viável é mirar o próprio Trump.
O movimento não é apenas diplomático. É teste de previsibilidade. A aposta do governo é que Trump ainda mantém autonomia decisória em relação ao próprio núcleo ideológico. O encontro entre Lula e Trump é esperado durante o G7, entre 15 e 17 de junho — e a agenda funciona como termômetro: se Trump recebe Lula, sinaliza que a Casa Branca ainda negocia bilateralmente; se delega a Rubio, o Brasil entra no bloco de risco. O argumento, no entanto, depende de uma premissa frágil — que Trump abre mão de tarifas por conversa. Em 2018 e 2019, mesmo com um presidente alinhado em Brasília, Trump impôs tarifas de 25% sobre aço e alumínio brasileiros. Não foi ideologia. Foi política comercial.
Caso o tarifaço avance, o governo estuda a Lei da Reciprocidade como resposta — instrumento de calibração interna, não de eficácia econômica. Serve para mostrar à base há reação. O Planalto também descarta concessão sobre o Pix, criando zona de inegociabilidade. A questão real não é tarifa contra tarifa. É se Trump mantém autonomia decisória ou se delegou o tema Brasil a Rubio. O G7 testa a hipótese. O precedente de 2018 sugere que o protecionismo trumpista não distingue aliado de inimigo.