Lula cita papel dos EUA em 1964 ao rebater Rubio
Crítica ao secretário de Estado americano antes de reunião sobre tarifas
O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira (3) que o golpe militar de 1964 contou com articulação de representantes dos Estados Unidos no Brasil, conforme apurou a Vero Notícias. A fala foi uma resposta direta a críticas do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ao governo brasileiro. Lula chamou Rubio de "latino-americano frustrado" e disse que o Brasil conhece sua própria história — sem, no entanto, apresentar documentos ou fontes específicas que sustentassem a acusação.
A declaração ocorre em momento de tensão comercial: horas antes, o presidente convocara reunião ministerial para discutir as novas tarifas americanas contra produtos brasileiros. O movimento combina dois tabuleiros — o diplomático e o eleitoral. Há leitura de que a crítica a Rubio serve tanto para demarcar posição externa quanto para ocupar espaço no debate interno, onde o governo busca blindar sua base antes do período eleitoral. Em 2023, mesma estratégia de tensionar com Washington rendeu ganhos de curto prazo em popularidade, sem custos comerciais imediatos. O argumento depende, porém, da hipótese de que o eleitorado reage mais a gestos simbólicos que a tarifas concretas.
Até o momento, não há resposta oficial do governo americano. O teor da reunião ministerial também não foi divulgado. A próxima rodada — impactos reais das tarifas nos setores exportadores — ainda não começou.